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sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

VOSTOK: Ep.#13 Uma Mulher (Péter Esterházy)



Péter Esterházy (1950-2016) Foi um dos grandes escritores
húngaros. Nasceu em 1950 em Budapeste. Herdeiro de uma linhagem bem conhecida
da aristocracia húngara, foi formado em Matemática, porém abandonou o ofício
para se dedicar a literatura.
Em sua obra nota-se a fragmentação; característica forte em
seus livros. Sentimos ao ler Esterházy como se estivéssemos em um labirinto.
Debatemos entre as paredes muitas vezes falsas que compõe esse labirinto. Nós
leitores nos perdemos... Porém quão legal é se perder na escrita desse gênio da
literatura. Uma escrita poética, que mistura palavras, sensações,
imagens....Assim como na matemática, Esterházy brinca com nós leitores. Uma
única palavra, pode render inúmeras sensações.
Seu romance "Uma Mulher" é composto por noventa e
sete contos curtos, em que o leitor pode se deliciar com a escrita poética e
muitas vezes estranha do autor. O livro é totalmente aberto a inúmeras
interpretações. 97 poemas de amor em prosa; 97 histórias de amor; 97 sensações
corporais; 97 descrições de um tempo... etc...
Cada história possui uma vida inteira contada principalmente
pela relação dos corpos. Partes dos corpos se misturam a sentimentos, às vezes
totalmente contraditórios como: Amor/ódio; Guerra/paz; Barulho/silêncio. Sempre
com a fragmentação correndo através do tempo. 
A dúvida aqui é fator primordial! É a mola propulsora que nos permite
sempre querer mais...


Péter Esterházy; um escritor a se conhecer e a se guardar na
cabeceira da sua cama!!!

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

VOSTOK: Ep.#12 "O Tchekista" (Vladmir Zazúbrin)



Quando recebeu o Prêmio Nobel de literatura, em 1987, Iossif Brodski foi entrevistado pela televisão sueca. A pergunta sobre a publicação na URSS de autores que antes estavam proibidos, respondeu: "O povo recupera a sua literatura e a sua cultura, que lhe haviam sido roubadas a décadas. Mas não acho que devamos sentir gratidão por isso, do mesmo modo que não há motivo para agradecer a um ladrão que nos restitua as nossas coisas"

O Romance de Vladímir Zazúbrin, escritor siberiano, faz parte das centenas de obras que foram restituídas aos leitores.

O Tchekista (1923) é um dos primeiros testemunhos literários sobre a natureza do poder soviético e um relato atroz de uma máquina de terror oleada pelo sangue humano.Texto de uma violência asfixiante e com um assombroso poder de evocação, O Tchekista foi considerada um obra inconveniente por descrever de forma supremamente realista os crimes soviéticos. Essa novela, foi achada por acaso na Biblioteca de Lênin, no ano de 1987. Dois anos depois teve sua primeira edição lançada.

Escritor siberiano, Vladímir Zazúbrin (1895-1938) esteve desde cedo ligado à oposição ao regime czarista, dirigindo semanários políticos de província e difundindo panfletos políticos, a coberto de profissões burocráticas, um disfarce para actividades revolucionárias. Foi um dos mentores da União Siberiana de Escritores, tendo sido preso e fuzilado no auge da repressão estalinista.